|
Streptococcus
agalactiae
Bactéria que causa morte em bebês prematuros
é desconhecida das gestantes
Exame laboratorial realizado até 48 horas
antes do parto normal elimina o risco
Sabe-se hoje
que o Streptococcus agalactiae é a bactéria
mais freqüentemente isolada dos quadros de
sepse neonatal precoce, podendo ou não vir
acompanhado de meningite, pneumonia,
osteomielite, etc - quadro este não raro
fatal.
Em 1970, este
microrganismo chamado também de estreptococo
beta hemolítico do grupo B, ou simplesmente
SBB, emergiu como o principal patógeno em
UTIs neonatais, causando elevada mortalidade
nos recém-nascidos. Essa bactéria,
descoberta há quase 100 anos, coloniza o
intestino humano, sendo parte da flora
intestinal normal, podendo ou não estar
presente nas fezes. A partir do intestino o
SBB pode se instalar no trato genital
feminino (parede vaginal), sem apresentar
qualquer sintomatologia clínica.
Diagnóstico
laboratorial
O diagnóstico
consiste em fazer duas culturas coletadas de
locais diferentes: parede vaginal e
ano-retal, e devem ser realizadas entre 35 e
37 semanas de gestação ou quando a mulher
apresentar trabalho de parto ou ruptura de
bolsa antes de 37 semanas.
No Laboratório
Franceschi, o resultado pode ser obtido em
30 horas ou menos, incluindo a prova de
susceptibilidade aos antibióticos. Com esse
resultado o ginecologista saberá qual
paciente deve ser medicada e com qual
antibiótico. Importante salientar que
somente a cultura pode identificar as
mulheres que realmente necessitam ser
medicadas, e assim evitar o uso
indiscriminado de antibióticos.
O antibiótico
(penicilina) é a droga de escolha e deverá
ser prescrita para as mulheres com cultura
positiva para estreptococo do grupo B.
Existe também
a indicação de tratamento para parturientes
em trabalho de parto antes de 37 semanas e
que não tenham o resultado da cultura.
Esta bactéria
está presente em cerca de 15 a 35% das
gestantes ao longo da gravidez. Segundo o
médico obstetra Marcelo Luís Nomura, do
CAISM - Unicamp, autor da tese de doutorado
que investigou o assunto, em 50% dos partos
em mulheres contaminadas, a bactéria - que
não causa sintomas nas mães - pode ser
transmitida ao recém nascido.
A infecção
pode causar meningite, pneumonia e
septicemia (infecção sangüínea) nos
recém-nascidos, e ocorre em 2% dos bebês de
mães colonizadas. Os prematuros podem se
infectar com maior freqüência e os sintomas
aparecem poucas horas após o nascimento.
Cerca de 15% a
30% dos sobreviventes da meningite
apresentam seqüelas neurológicas, visuais e
auditivas graves. A taxa de mortalidade
varia de 2% a 30%.
Ainda não há
vacina preventiva para o controle da
bactéria, portanto a única forma de
prevenção é o tratamento precoce. O exame
laboratorial minimiza a antibioticoterapia
empírica, pois pode ser realizado em até 48
horas antes do parto.
Com o
diagnóstico positivo, a parturiente é
medicada com penicilina. As alérgicas podem
ser medicadas com outro antibiótico.
Informação
Para o médico
Dr.Ulysses Moraes Oliveira, especialista em
microbiologia clínica, e responsável pelo
desenvolvimento desse meio de cultura, há
necessidade de se difundir ao máximo esse
conhecimento, para não mais haver
recém-natos colonizados e com possibilidade
de vir a óbito.
O exame
laboratorial detecta quase 100% dos casos e
orienta a terapêutica para um antibiótico
específico de baixo custo e de ação rápida,
minimizando o tempo de internação e
conseqüente alta hospitalar.
Para tanto, se
deve divulgar e informar a mulher e o
obstetra. "Na maioria dos casos, o médico
deixa de investigar a presença da bactéria
por desconhecer que existe esse exame e que
ele pode ser realizado com agilidade, a
baixo custo e com fácil implantação pelos
laboratórios” afirma o especialista.
Dr. Oliveira
diz ainda que a coleta feita em tempo hábil
antes do parto para a identificação da
bactéria e o imediato tratamento no momento
do parto reduzem a zero o risco de morte do
bebê.
Para o médico
Dr.Marcelo Luís Nomura, apesar de não haver
recomendação oficial governamental, o CAISM
- Unicamp realiza o exame em todas as
gestantes entre 35 e 37 semanas de gravidez,
como recomendado há alguns anos na América
do Norte, em alguns países europeus e num
protocolo oficial, seja de órgãos oficiais
ou de sociedades de especialistas. "Esta é a
única forma de garantir que o diagnóstico
precoce seja prática habitual dos médicos",
esclarece.
Prof. Dr.
Ulysses Moraes de Oliveira |